Recentemente estive no Congresso Paulista de geriatria e gerontologia e assisti uma mesa redonda onde o tema versava sobre Políticas Públicas de atenção à saúde do idoso. A apresentação iniciou-se pela exposição da política nacional e conseqüentemente a política estadual de atenção a saúde do idoso, ambas sob a égide do envelhecimento saudável e ativo, tendo alguns pilares que norteiam seu desenvolvimento, como as questões de gênero, cultura, participação social, saúde e segurança (proteção). Sob esta perspectiva, o discurso vai pelo caminho da promoção de saúde via aumento das capacidades funcionais dos idosos considerados fisicamente independentes, já que prevenir as perdas ocasiona maior atuação do idoso na sociedade, além de uma série de outras preocupações...
Segundo a palestrante que atua na secretaria estadual de saúde, existem dentro do sistema único de saúde propostas muito boas para a rede de atenção primária voltada ao público idoso, como os serviços amigos do idoso (informações sobre a gestão do cuidado), atenção domiciliar, caderneta de saúde do idoso, atendimento preferencial nas farmácias, entre outros. No entanto, a luta está na ampliação de ações intersetoriais, um exemplo disso, é a dificuldade de diálogo entre a área da assistência social e os serviços de saúde, o que parece estar caminhando para parcerias mais efetivas, e ainda os entraves de interesse político que dificultam a operacionalização de projetos e propostas.
Outro apontamento, sobre a questão do envelhecimento ativo é a política Cidade amiga do idoso, que tem como objetivo comprometer os governos para a perspectiva coletiva de ações para os velhos, vejam que interessante: Esta proposta nasce na Europa, mais especificamente em Genebra, onde membros da OMS, preocupados com o aumento da população idosa no mundo, lançam tal proposta com o intuito de ouvir as necessidades dos idosos que moram em grandes centros urbanos, pautando-se nas questões de saúde, segurança e participação social. Esta política vem para o Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, claro levando em conta as dificuldades já que um país em desenvolvimento possui suas particularidades, porém, foi implantada de forma verticalizada, de fora para dentro, muito provavelmente pensando em ações pontuais, como as que foram realizadas em Copacabana, mobilizando ou informando a população para a importância de manter-se ativo. Já em São Paulo, a maneira de efetivar essa proposta foi lançando o projeto “Bairro amigo do Idoso”, por iniciativa de um médico geriatra da Unifesp fez-se um estudo epidemiológico nos entornos da universidade, no bairro da Vila Clementino, isso há quase 20 anos atrás, para a partir dos resultados mobilizar o poder público local. Ao longo dos anos, obteve-se sucesso em algumas intervenções e os profissionais e idosos desse bairro continuam reivindicando melhores condições de vida.
NO entanto, não houve expansão efetiva dessa proposta para outros bairros pela dificuldade de diálogo e disposição política das subprefeituras. O bairro da Vila Clementino e o da Mooca são os mais eficientes nessa política (ops: bairros considerados universitários,só para lembrar). Agora eu pergunto: Como podemos pensar em um bairro amigo do idoso, do ponto de vista do envelhecimento saudável e ativo se o contexto de vida de um grande número de pessoas é composto de condições precárias? Falta de saneamento básico, ruas sem asfalto, falta de moradia digna, desnutrição e por ai vai... Então parece que o paradoxo é grande, o discurso é hegemônico, e mesmo quando se prega algo que não é viável para a população em geral, esse tipo de proposta é valorizada porque cumpre a agenda de órgãos internacionais que prezam pelos mecanismos quantitativos, portanto econômicos de desenvolvimento de um povo. Popularmente falando, “é só para gringo ver”, porque se o Brasil estiver bem avaliado em suas políticas publicas e nos índices de desenvolvimento humano maior será o investimento do banco mundial. Vivemos em uma lógica que mantém no viés econômico sua razão de ser. Mais veja que importante, será criado uma certificação, um selo para todas as cidades que aderirem à proposta “Cidade amiga do idoso”....é mole ou quer mais.
Importante pensarmos nisso..
acessem o blog WWW.saudedapessoaidosa.blogspot.com, bom ficarmos por dentro
portal da saude de SP- há informações sobre projetos como o Futuridade, Politicas estaduais para idosos...
ministerio da saude- sobre politica nacional de atenção a saúde do idoso
PNUD- www.pnud.org.br- programa das nações unidas para o desenvolvimento (pano de fundo para as politicas no Brasil)
Abraços
Ale
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http://www.isaude.sp.gov.br esse site também possui informações interessantes, acessem..
ResponderExcluirhttp://www.youtube.com/watch?v=sVuk78fOeRk
ResponderExcluirvídeo Futuridade - Plano Estadual para a Pessoa Idosa
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirhá alguns anos li um texto de autoria do Dr.Wilson Jacó da FMUSP no qual ele falava sobre a máxima de que devemos respeitar os idosos. No texto ele se perguntava "a quem devemos pedir que respeite o idoso? A quem não respeita ninguém?" Para mim a reflexão aqui é a mesma: qual é a cidade amiga do idoso? Que cidade é essa? Aquela que não é amiga de mais ninguém? Eu quero morar numa cidade bem iluminada, com calçamento decente, com árvores bem cuidadas (viram uma idosa que morreu na semana passada vítima da queda de uma árvore centenária sobre ela enquanto caminhava no parque Celso Daniel?). Quero uma cidade com jardins possíveis (hoje vi gente idosa caminhando as 8 da manhã no parque Tiquatira com mato na altura dos joelhos). Eu quero morar numa cidade que tenha peito de dar um basta para o trânsito desmedido, produto da ocupação ambiental desordenada, uma cidade que não aceite a verticalização absurda, comercialmente vantajosa e desumana que a ocupa. Eu quero uma cidade com transporte público que funcione, que permita a circulação em qualquer tempo, com condições dignas de trânsito. Eu quero uma cidade cidadã... é pedir muito? Uma cidade amiga dos deficientes, dos jovens, das crianças, dos adultos e, claro, dos velhos. Dizer que faremos uma cidade amiga dos idosos me cheira a demagogia... ou será que sou eu quem está muito desencantada?beijos a todos! belo post Al~e.
ResponderExcluiro txt do Dr. Wilson Jacó pode ser lido na íntegra no http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq2804200501.htm
Talvez a demagogia esteja presente em boa parte das ações publicas, quando desconsideram as necessidades básicas de uma grande parcela da população brasileira e preferem nos iludir com um falso desenvolvimento mercadológico e extremamente capitalista que moldam os saberes políticos de forma Hipócrita e contraditória. Que política publica é essa que enaltece o envelhecimento ativo e exclui a co-participação dos demais cidadãos neste processo? Será que só por que sou velho necessito de uma cidade amiga e não mais um asilo, talvez porque assim não me sinta tão mal por estar velho?
ResponderExcluirUm grande abraço
Bruna