quinta-feira, 10 de junho de 2010

Direitos dos Idosos

Na ultima quarta-feira no projeto, tive a oportunidade de presenciar uma dinâmica em grupo, com o intuito de levar os idosos a refletirem sobre um problema comum a todos, ou seja, direitos. Os idosos foram divididos em pequenos grupos com a incumbência de elaborar um problema. Posteriormente os idosos trocaram o suposto problema entre os grupos para solucionarem o problema do outro. Na roda de conversa os problemas, mais citados como de costume foram os assentos preferenciais, filas em banco e com não poderia faltar à discriminação e falta de respeito dos jovens. No entanto o que me chamou a atenção foram os relatos de discriminação dos idosos contra eles próprios, interessante, - eu não me aceito como velho nego a velhice, mas me apodero de maneira “abusiva” dos meus direitos, mas não sou velho. Mais interessante ainda o desabafo da Dona Dora, “a solução para o problema do outro grupo seria uma conversa com a pessoa que cometeu a descriminação de maneira educada e civilizada enfatizando que todos somos iguais apesar de nossas limitações, todos merecem respeito, igualdade e dignidade”. Apesar de ter sofrido uma discriminação por parte de um colega no projeto, ela fez questão de se posicionar e pedir respeito e humildade aos seus companheiros, enfatizando a importância das relações humanas dentro do grupo. Naquele momento os burburinhos se cessaram e o silêncio pairou no ar. A face de todos sem exceção, se tomou de uma intima e profunda reflexão. Alê, como mediadora respirou fundo e prosseguiu a dinâmica. Quando finalmente uma idosa tomada de sua reflexão pessoal, compartilhou uma sátira que ouvirá de um colega durante a semana: “Comparação da batata com o velho: Ambos são iguais quando colocados no saco são esquecidas, só são lembradas quando começam a feder”. O pior não foi à sátira, mas sim o posicionamento da idosa em enfatizar que depois de refletir sobre sua vida, deixou a entender que a sátira se faz verdade. Como esperado os demais idosos não concordaram e um novo burburinho se iniciou. Ana Martha como mediadora contornou a situação e transformou a sátira em pergunta para se refletir em casa. Como vocês podem intervir para que isso não ocorra de fato? Como não havia mais tempo e os ânimos estavam aflorados, a roda de conversa ficou para a próxima reunião.
Ao final quando todos os idosos e parte dos monitores haviam ido embora, iniciamos como de costume nosso bate- papo (ou como diria o Mesaque a “avaliação”) sem sombra de dúvidas o melhor bate papo da minha vida acadêmica e profissional, durante 1h e 40m refletimos sobre a dinâmica, sobre nossos objetivos, sobre Paulo freire, sobre o ambiente facilitador que as aulas proporcionam e devido a isso as manifestações obtidas, que muitas vezes superam nossas expectativas. Sem falar que todos os problemas e soluções apresentados, levavam a palavras chave a discussão sobre emporwement: educação e cidadania. Depois de sair da sala, meus pensamentos estavam em ebulição e continuam, pois tenho certeza de que se nós educadores investirmos nestas palavras pequenas em tamanho, mas enormes em transformação social o nosso País será uma Nação de todos e para todos, como diria Paulo freire “A educação é um ato político”. A cada dia que passa como aprimoranda no projeto, tenho provas que isso é possível, porém não é fácil...
Um grande abraço Bruna.

3 comentários:

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  2. Bruna,
    Se os seus pensamentos ficaram em ebulição após o nosso bate-papo tão rico quanto à necessidade de práticas fundamentadas, políticas e humanistas em educação física, imagina só os meus pensamentos...sendo que estou "engatinhando" ainda no projeto sênior!
    Ao mesmo tempo que podemos contar com a presença otimista de cada aluno do sênior, suas manifestações inesperadas nos pregam peças.
    Após o desabafo de discriminação e da comparação, um tanto quanto chocante, do idoso com a batata, por vez uma imediata sensação de insatisfação...'quanta coisa ainda falta para ser discutida com eles', afinal, muitos reivindicam seus direitos mas esquecem dos seus deveres.
    Entretanto, também acredito que essas manifestações que superam nossas expectativas e que nos supreendem só são possíveis graças ao nosso reconhecimento da diversidade pessoal e cultural, do valor de cada pessoa e dos seus direitos em compartilhar idéias e crenças diferentes.
    Fico muito feliz em compartilhar idéias tão ricas com vcs...que transpiram competência e alegria em cada encontro!

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  3. Pois é, meninas...como conversamos na quarta fica nítido o quanto nossas ações estão sendo aprimoradas e focadas naquilo que acreditamos.
    A maturidade do nosso grupo caminha na apropriação da perspectiva freireana enquanto ideal educativo.


    bj
    Ale

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